Annie era a personificação da calma.
Xênia, impulsiva.
As duas eram amigas.
O destino separou-as e elas passaram a corresponder-se pela internet. Através de seus endereços eletrônicos desabafavam e aconselhavam-se mutuamente.
Certa vez em que Annie, a pedido amiga, foi sincera ao escrever sua opinião em relação a determinado assunto, Xênia ofendeu-se.
Num ímpeto de ira e descontrole, mandou para a lixeira todas as mensagens de Annie, conservando somente aquela cujo conteúdo ela julgou ofensivo.
Nunca mais escreveu à amiga.
Annie, compreendendo a amiga temperamental, confiou no tempo, que coloca tudo em seu devido lugar. Sua consciência permanecia em paz.
E o amigo tempo agiu. Numa tarde tranquila, Xênia resolveu reler a opinião da amiga. Pasma, percebeu que nada havia de ofensivo na mensagem, apenas sinceridade. Compreendeu que em nenhuma linha sequer, Annie havia sido inconveniente, ao contrário, com muito tato e delicadeza, havia apenas exposto a realidade.
Seu coração remoeu-se de arrependimento. Compreendeu que palavras lidas apressadamente e com prevenção, são mal interpretadas. Ainda guardava o telefone da amiga. Ligou disposta a reatar a amizade.
Quem atendeu foi um senhor desconhecido. Informou que Annie encontrava-se na Inglaterra e que ele comprara a casa com tudo o que havia dentro dela. Infelizmente, ele não tinha o atual telefone de Annie.
No coração de Xênia o vazio, a dor e a impotência diante de uma situação que jamais ela esperou um dia passar.
Reflexão: É preciso cuidado com nossas reações . De repente, através de nossos melindres, acabamos perdendo chances de compreender situações, as quais, pela teimosia, jamais quisemos enxergar... situações que nos dariam amadurecimento e sabedoria.

Leia este blog no seu celular