Blog Gaivota da Paz


01/03/2009


Impulsividade - Maria Nilceia

 

 

Annie era a personificação da calma.

Xênia, impulsiva.

As duas eram amigas.

O destino separou-as e elas passaram a corresponder-se pela internet. Através de seus endereços eletrônicos desabafavam e aconselhavam-se mutuamente.

 

Certa vez em que Annie, a pedido amiga, foi sincera ao escrever sua opinião em relação a determinado assunto, Xênia ofendeu-se.

Num ímpeto de ira e descontrole, mandou para a lixeira todas as mensagens de Annie, conservando somente aquela cujo conteúdo ela julgou ofensivo.

Nunca mais escreveu à amiga.

 

Annie, compreendendo a amiga temperamental, confiou no tempo, que coloca tudo em seu devido lugar. Sua consciência permanecia em paz.

 

E o amigo tempo agiu. Numa tarde tranquila, Xênia resolveu reler a opinião da amiga. Pasma, percebeu que nada havia de ofensivo na mensagem, apenas sinceridade. Compreendeu que em nenhuma linha sequer, Annie havia sido inconveniente, ao contrário, com muito tato e delicadeza, havia apenas exposto a realidade.

 

Seu coração remoeu-se de arrependimento. Compreendeu que palavras lidas apressadamente e com prevenção, são mal interpretadas. Ainda guardava o telefone da amiga. Ligou disposta a reatar a amizade.

 

Quem atendeu foi um senhor desconhecido. Informou que Annie encontrava-se na Inglaterra e que ele comprara a casa com tudo o que havia dentro dela. Infelizmente, ele não tinha o atual telefone de Annie.

 

No coração de Xênia o vazio, a dor e a impotência diante de uma situação que jamais ela esperou um dia passar.

 

Reflexão: É preciso cuidado com nossas reações . De repente, através de nossos melindres, acabamos perdendo chances de compreender situações, as quais, pela teimosia, jamais quisemos enxergar... situações que nos dariam amadurecimento e sabedoria.

 

Escrito por gaivota.da.paz às 14h30
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